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NADA ESTÁ GARANTIDO
desta vez, uma mostra sem promessa alguma

Se é mesmo que 2026 chegou, ninguém nos avisou que seria assim. O chão está instável, as bússolas desmagnetizaram e a única certeza que resta é o colapso iminente... ou, quem sabe, a redenção absoluta. Por isso, dobramos a aposta. Não estamos mais jogando moedas em fontes dos desejos; estamos jogando os dados (ou talvez atirando) no escuro.

 

A Estação Godot, se é que ela existe, decidiu que as regras antigas estavam entediantes demais. E a tríade de curadores do ano passado – Lucas Rosa, Marina Lins e Fabrício Rossatto Fagundes – lavou as mãos. Cansaram de brincar de deuses ou apenas decidiram ver o circo pegar fogo? Não importa. Eles abriram as comportas. Deram um passo para trás e deixaram que o próprio público, essa massa disforme de cinéfilos e insones, decidisse o veneno.

Vocês sugeriram. Vocês cavaram as próprias covas.

A mostra deste ano não segue lógica, cronologia ou bom senso. É um monstro de Frankenstein costurado com os pedaços que vocês nos enviaram. Filmes que não conversam entre si, gêneros que se odeiam, obras-primas esquecidas colidindo com o chorume do underground. Saímos do óbvio porque o óbvio já está morto, assim disse Nietzsche.

Esqueça a coerência. Esqueça as listas do Letterboxd. A única regra agora é o risco. Sentem-se. A projeção vai começar e ninguém – nem nós – sabe onde isso vai parar.

Vladimir & Estragão

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Próximos filmes

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No fim da sessão, quando as luzes se apagam e o mundo real tenta retomar o controle, há um último gesto de resistência: você pode ajustar a arrastar as cadeiras de volta ao lugar. E quem quiser pode ir além. 

Porque tudo isso — a curadoria que ninguém pediu, a organização que opera sem organograma, as comidas veganas que alimentam conspiradores, as bebidas que tornam as conversas possíveis ou insuportáveis dependendo da dose, as faxinas que apagam vestígios, as manutenções de equipamento roubado, doado ou simplesmente encontrado, os impressos que existem apenas para serem espalhados em mesas de bar estratégicas — custa alguma grana. Não muito. Mas custa.

A contribuição é livre, anárquica, espontânea. Pode ser uma vez, pode ser sempre. O dinheiro vai para onde precisa ir. O importante é que venha do mesmo impulso que trouxe você até aqui: o desejo de manter nosso delírio vivo por mais uma sessão.

Frequência

1 vez

Mensal

Valor

R$ 20

Outro

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Filmes que já exibimos

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Sempre um curta surpresa
antes da sessão

Numa dessas reuniões que tecnicamente não aconteceram, alguém afirma ter ouvido que as vozes do Colégio Invisível das Serpentes Mnemônicas decidindo que apenas projetar apenas o filme prometido era covardia. Então, veio a decisão, estúpida e inevitável: antes do longa (ou dos dois longas), sempre haveria um curta surpresa. Sem aviso, sem coerência, nem piedade. 

 

Às vezes, o curta conversa com o filme principal, compartilha o mesmo delírio estético, o mesmo gesto do diretor, o mesmo sintoma histórico. Outras vezes, não. E o choque é justamente o ponto. O que importa é o atrito: provocar, desalinhar o olhar, acender faíscas no debate e, de quebra, testar a resistência da plateia. Pode ser um lampejo de sessenta segundos ou uma epifania que se arrasta por meia hora. O público nunca sabe.

 

 

Alguns desses curtas sobrevivem às sessões como fragmentos de sonho que se recusam a morrer e reaparecem, reencarnados, em vídeos perdidos em portais como YouTube, onde continuam assombrando quem tiver a curiosidade (ou o azar) de encontrá-los.

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